terça-feira, 6 de maio de 2008

GUERREIROS DO MAR

"Ele contou o que havia aprendido nas praias do mar, habitadas pela valente nação dos tupinambás, descendentes da mais antiga geração de Tupi. Os pajés dos tupinambás lhe disseram que nas águas do pará sem fim vivia uma nação de guerreiros ferozes, filhos da grande serpente do mar.
Um dia esse guerreiros siriam das águas para tomarem a terra às nações que a habitam; por isso os tupinambás tinha descido às praias do mar, para defendê-las contra o inimigo.
Os guerreiros do mar*, também tinhas sua guerras entre si como guerreiros da terra. Então as águas pulavam mais altas do que os montes; seu estrondo era como o trovão.
Jurandir contou mais que nas praias do mar se encontrava uma resina amarale, muito cheirosa*, a qual a grande serpente criava no bucho.
Os tupinambás faziam dessa goma contas para seus colares; Jurandir mostrou a pulseira que lhe cingia o artelho, presente de um guerreiro daquela nação.
Essas contas tornavam o pé do guerreiro ágil na corrida, e protegiam o viajante contra os caiporas da floresta, que apartavam-se de seu caminho"

* GUERREIROS DO MAR - tradução da palavra tupi caramuru com que os tupinambás da Bahia designaram Diogo Álvares Correia. Caramuru é composto de cará, alteração de Pará, mar, e môro, gente; homem do mar. Os selvagens acreditavam que as águas eram habitadas, e daí nasceu a lena da mãe-d'água, que se transmitiu à raça invasora. Nada mais natural do que chamarem ao primeiro branco, que lhes apareceu surgindo do oceano, Caramuru - o guerreiro do mar.

* RESINA AMARELA, MUITO CHEIROSA - é o âmbar, que os tupis chamavam Piraoçurepoti, e de que so tempo do descobrimento abundavam as ribeiras do mar, nas províncias do Norte.

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