sexta-feira, 14 de maio de 2010
quinta-feira, 29 de abril de 2010
travessia
...peixes rosados...
Se for possível, manda-me dizer:
- É lua cheia. A casa está vazia -
Manda-me dizer, e o paraíso
Há de ficar mais perto, e mais recente
Me há de parecer teu rosto incerto.
Manda-me buscar se tens o dia
Tão longo como a noite. Se é verdade
Que sem mim só vês monotonia,
E se te lembras do brilho das marés
De alguns peixes rosados
Numas águas
E dos meus pés molhados, manda-me dizer:
- É lua nova -
E revestida de luz te volto a ver
Hilda Hilst - Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
O Celular de Naná
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Nego véio chegou da maré....
Nego véio chegou bem suado, tá sujo de lama
Dormiu sem ter cama
Porque ele veio da maré.
Nego Véio tomou o seu banho
Ficou perfumado
Chamou Nega Véia pra dançar nesse afoxé!
Vestiu camisa vermelha
Lenço amarelado no dorso
Problema pra ele é besteira
Que ele deixou na maré
E agora nego só quer dançar,
Ele quer dançar pra ver muita paz no seu coração!
Goreé - Naná Vasconcelos (Minha Lôa)
quarta-feira, 7 de abril de 2010
O MAR
Me cabe,
Teu mar
terça-feira, 16 de março de 2010
Soy Tuya
me gusta demasiado ensuciarte
besar tu flor, inmediata, besarte atrás y adelante,
Me gusta tanto que me encante,
que quiero hasta la locura,
desarmarme en el vaivén de tu cintura,
y remar sobre tu espalda y naufragarte,
Soy tuyo, con mi mayor convicción,
soy tuyo con toda la fuerza de mi corazón,
que es tuyo, y como cada pensamiento mío,
es tuyo , soy tuyo.
Soy tuyo, con mi mayor convicción,
soy tuyo con toda la fuerza de mi corazón,
que es tuyo, y como cada pensamiento mío,
es tuyo , soy tuyo.
Soy tuyo de Andres Calamaro
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Por mim, por ele
Lancei-me ao mar
por dias
e dias
sois e chuvas
tempestades
calmarias
maré mansa
lancei alto meu coração
sem medo
confio a ele
meu planos...minhas preces
Lancei
Inteira...alma, corpo e poesia
Entrego sonhos, desejos, você
Inteiro azul
Tudo, tudo
Pará semfim
Olhe por ele, por mim.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
One Tree Hill
We turn away to face the cold, enduring chill
As the day begs the night for mercy, love.
A sun so bright it leaves no shadows
Only scars carved into stone on the face of earth.
The moon is up and over One Tree Hill
We see the sun go down in your eyes.
You run like a river runs to the sea
You run like a river runs to the sea.
And in the world, a heart of darkness, a fire-zone
Where poets speak their heart then bleed for it
Jara sang, his song a weapon in the hands of love.
You know his blood still cries from the ground.
It runs like a river runs to the sea.
It runs like a river to the sea.
I don't believe in painted roses or bleeding hearts
While bullets rape the night of the merciful.
I'll see you again when the stars fall from the sky
And the moon has turned red over One Tree Hill.
We run like a river runs to the sea
We run like a river to the sea.
And when it's rainin', rainin' hard
That's when the rain will break a heart.
Rainin', rainin' in your heart
Rainin' in your heart.
Rainin', rain into your heart
Rainin', rainin', rainin'
Rain into your heart.
Rainin', ooh, rain in your heart, yeah.
Feel it.
Oh GREAT OCEAN
Oh great SEA
RUN to the ocean
Run TO THE sea.
U2
O mar real
Shophia de Mello Breyner Andresen
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Ode Marítma
Os navios que saem dos portos
Os navios que passam ao longe
(Suponho-me vendo-os duma praia deserta)
Todos estes navios abstratos quase na sua ida,
Todos estes navios assim comovem-me
como se fossem outra coisa
E não apenas navios indo e vindo"
(Fernando Pessoa)
Ode Marítma
Bulício a borda dos navios;
Ó alma errante e instável
Da gente que anda embarcada,
Da gente simbólica que passa
E com quem nada dura,
Que quando o navio volta ao porto
Há sempre qualquer alteração à bordo."
(Fernando Pessoa)
terça-feira, 14 de julho de 2009
Bocochê
Menina bonita, pra onde é "qu'ocê" vai
Vou procurar o meu lindo amor
No fundo do mar
Nhem, nhem, nhem
É onda que vai
Nhem, nhem, nhem
É onda que vem
Nhem, nhem, nhem
Tristeza que vai
Nhem, nhem, nhem
Tristeza que vem
Foi e nunca mais voltou
Nunca mais! Nunca mais
Triste, triste me deixou
Nhem, nhem, nhem
É onda que vai
Nhem, nhem, nhem
É a vida que vem
Nhem, nhem, nhem
É a vida que vai
Nhem, nhem, nhem
Não volta ninguém
Menina bonita, não vá para o mar
Vou me casar com o meu lindo amor
No fundo do mar
Nhem, nhem, nhem
É onda que vai
Nhem, nhem, nhem
É onda que vem
Nhem, nhem, nhem
É a vida que vai
Nhem, nhem, nhem
Não volta ninguém
Menina bonita que foi para o mar
Dorme, meu bem
Que você também é Iemanjá
Vinicius de Moraes / Baden Powell
Ah poetinha!!!
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Último Tigre
nem o que entreviu Borges
através das barras,talvez até
impressas no pêlo,temperando
o ouro do ataque e do remanso
interrompido pelas tiras de sombra
indo e vindo,entre o mel e a fera.
Mas o que sobrou na Ásia ou África
-fogueira sozinha se extinguindo
em sua fúria e instinto sem a mão
que contorne a ferocidade da garra
e do olhar extremo,ou a lembrança
do seu nobre metal aceso,sol aberto
mesmo dentro da cegueira,agora
cada vez mais riscado e escurecido
pelas linhas do grafite e do carvão.
Armando Freitas Filho
terça-feira, 19 de maio de 2009
Canoeiro
leva-me, canoeiro, para além da curva do rio,
que seja a tua canoa um quadro sem mar.
desenha-me nas sombras e nos mistérios
da sofreguidão das ondas, do acender
das sílabas, da sede que busca as vinhas,
do ardor que chega à praia e funda instantes
densos, na preamar.
cuida da minha alma, pega-a no colo,
toca meu corpo sem palavras, faz-me feliz
com lágrimas, para que eu não esqueça
do gosto da água temperada com sal.
lava-me de todo o simbólico e do imaginário
que marca o real, mostra-me o ultra-secreto
desse lugar. que seja uma carícia quente
na água da vida, o teu remar; que seja leve
o balanço e que, numa dádiva silenciosa
- em reverência -
o estado da arte sorva a saudade
e sugue de nossos lábios o poema.
segunda-feira, 16 de março de 2009
EL GRAN OCEÁNO
a mis manos
pudiera destinar una medida, una fruta, un fermento,
escogería tu reposo distante, las líneas de tu acero,
tu extensión vigilada por el aire y la noche,
y la energía de tu idioma blanco
que destroza y derriba sus columnas
en su propia pureza demolida.
No es la última ola con su salado peso
la que tritura costas y produce
la paz de arena que rodea el mundo:
es el central volumen de la fuerza,
la potencia extendida de las aguas,
la inmóvil soledad llena de vidas.
Tiempo, tal vez, o copa acumulada
de todo movimiento, unidad pura
que no selló la muerte, verde víscera
de la totalidad abrasadora.
Del brazo sumergido que levanta una gota
no queda sino un beso de la sal. De los
cuerpos
del hombre en tus orillas una húmeda
fragancia
de flor mojada permanece. Tu energía
parece resbalar sin ser gastada,
parece regresar a su reposo.
La ola que desprendes,
arco de identidad, pluma estrellada,
cuando se despeñó fue sólo espuma,
y regresó a nacer sin consumirse.
Toda tu fuerza vuelve a ser origen.
Sólo entregas despojos triturados,
cáscaras que apartó tu cargamento,
lo que expulsó la acción de tu abundancia,
todo lo que dejó de ser racimo.
Tu estatua está extendida más allá de las olas.
de un solo ser y sus respiraciones,
en la materia de la luz izadas,
llanuras levantadas por las olas,
forman la piel desnuda del planeta.
Llenas tu propio ser con tu substancia.
Colmas la curvatura del silencio.
Con tu sal y tu miel tiembla la copa,
la cavidad universal del agua,
y nada falta en ti como en el cráter
desollado, en el vaso cerril:
cumbres vacías, cicatrices, señales
que vigilan el aire mutilado.
Tus pétalos palpitan contra el mundo,
tiemblan tus cereales submarinos,
las suaves ovas cuelgan su amenaza,
navegan y pululan las escuelas,
y sólo sube al hilo de las redes
el relámpago muerto de la escama,
un milímetro herido en la distancia
de tus totalidades cristalinas.
Pablo Neruda - Canto General

