quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

INDIFERENTEMENTE

De longe vejo passar no rio um navio....
Vai Tejo abaixo indiferentemente.
Mas não é indiferentemente por não se importar comigo
E eu não exprimir desolação com isto...
É indiferentemente por não ter sentido nenhum
Exterior ao facto isoladamente navio
De ir rio abaixo sem licença da metafísica...
Rio abaixo até a realidade do mar.

Alberto Caeiro - Poemas Inconjuntos

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