sexta-feira, 10 de junho de 2011

primeira visão

"a minha primeira visão da terra
tinha cortina  de água
não me lembro de ter fome
não me recordo de frio ou calor"
(Pitty /3 na massa - Lágrimas Pretas)

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Pirata


Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.
Gosto de uivar no vento com os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.
A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.

Sophia de Mello Breyner


terça-feira, 24 de maio de 2011

Yemanjá


Diga que a vida é uma dádiva
Saiba que quem é do mar pro mar irá voltar ahhh..

Yemanja está lá
De braços abertos yemanja rainha sereia sereia do mar

Diga que o sol nascendo traz a paz

E todos os males se afastarão e tudo de bom vai se
multiplicar
Na vida de quem ama na vida de quem se amar(2x)
Ah ahh Ah ahh..

Diga que o coração liberta
E todos os males se afastarão
e tudo de bom vai se mutiplicar
Na vida de quem ama na vida de quem se amar(2x)
Ah ahh Ah ahh..

Diga que a vida é uma dádiva
Saiba que quem é do mar pro mar irá voltar
Yemanja esta lá
De braços abertos yemanja rainha sereia sereia do mar
Diga que o coração liberta

E todos os males se afastarão e tudo de bom vai se
multiplicar
Na vida de quem ama na vida de quem se amar(2x)
Ah ahh Ah ahh..

Diga que o sol nascendo traz a paz
Diga que o sol nasceu por traz

E todos os males se afastarão
e tudo de bom vai se multiplicar
Na vida de quem ama na vida de quem se amar(2x)

MinasCumpraia

quarta-feira, 2 de março de 2011

Maria Bethânia - Movimento dos Barcos

Farewell


Para acreditar no desapego e viver o momento!






"Desde el fondo de ti, y arrodillado,
un niño triste como yo, nos mira.

Por esa vida que arderá en sus venas
tendrían que amarrarse nuestras vidas.

Por esas manos, hijas de tus manos,
tendrían que matar las manos mías.

Por sus ojos abiertos en la tierra
veré en los tuyos lágrimas un día.

Yo no lo quiero, Amada.
Para que nada nos amarre
que no nos una nada.

Ni la palabra que aromó tu boca,
ni lo que no dijeron tus palabras.

Ni la fiesta de amor que no tuvimos,
ni tus sollozos junto a la ventana.

Amo el amor de los marineros
que besan y se van.

Dejan una promesa.
No vuelven nunca más.

En cada puerto una mujer espera:
los marineros besan y se van.

(Una noche se acuestan con la muerte
en el lecho del mar.)

Amo el amor que se reparte
en besos, lecho y pan.

Amor que puede ser eterno
y puede ser fugaz.

Amor que quiere libertarse
para volver a amar.

Amor divinizado que se acerca
Amor divinizado que se va.

Ya no se encantarán mis ojos en tus ojos,
ya no se endulzará junto a ti mi dolor.

Pero hacia donde vaya llevaré tu mirada
y hacia donde camines llevarás mi dolor.

Fui tuyo, fuiste mía. ¿Qué más? Juntos hicimos
un recodo en la ruta donde el amor pasó.

Fui tuyo, fuiste mía. Tú serás del que te ame,
del que corte en tu huerto lo que he sembrado yo.

Yo me voy. Estoy triste: pero siempre estoy triste.
Vengo desde tus brazos. No sé hacia dónde voy.

...Desde tu corazón me dice adiós un niño.
Y yo le digo adiós."



Pablo Neruda

Memórias do Mar


Pra uma manhã linda e cinza, vazia, natural e plena:



"A água do mar na beira do cais

Vai e volta volta e meia vem e vai
A água do mar na beira do cais
Vai e volta volta e meia vem e vai
Quem um dia foi marinheiro audaz
Relembra histórias
Que feito ondas não voltam mais
Velhos marinheiros do mar da Bahia
O mundo é o mar
Maré de lembranças
Lembranças de tantas voltas que o mundo dá
Tempestades e ventos
Tufões violentos
E arrebentação
Hoje é calmaria
que dorme dentro do coração
Velhos marinheiros do mar da Bahia
O mundo é aqui
Maré mansa e morna
De Plataforma ou de Peri-Peri
Velhos marinheiros do mar da Bahia
O mundo é o mar
Maré de lembranças
Lembranças de tantas voltas que o mundo dá"

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Rancho das Namoradas















Já vem raiando a madrugada
Acorda, que lindo
Mesmo a tristeza está sorrindo
Entre as flores da manhã se abrindo nas flores do céu
O véu das nuvens que esvoaçam
Que passam pela estrela a morrer
Parecem nos dizer que não existe beleza maior do que o amanhecer
E no entanto maior, bem maior do que o céu
Bem maior do que o mar, maior que toda natureza
É a beleza que tem a mulher namorada
Seu corpo é assim como aurora ardente
Sua alma é uma estrela inocente, seu corpo uma rosa fechada
Em seus seios pudores renascem das dores
De antigos amores que vieram mas não era
Um amor que se espera, o amor primavera
São tantos os encantos que para os comparar
Nem mesmo a beleza que tem as auroras do mar

Vinicius de Morais

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Procurando Vinicius


Já sai a te procurar
Sem saber sabendo
Que era em você que desejava esbarrar

Vestida de mim, acompanhada de luzes
Te chamei por Vinicius
Os braços infinitos, os olhos de imã
Mas só você saberia cantar

Na gaiola da noite
Na passarela da madrugada
Seu passo era outro
Me divertia, mesmo sabendo
Que seu violão tocava em outra
Outra sintonia

E me divertindo no colorido da jaula
Me conhecia
Te atraía
Ah! Te captava!
Num soneto de amor total!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A Ausente

Amiga, infinitamente amiga
Em algum lugar teu coração bate por mim
Em algum lugar teus olhos se fecham à ideia dos meus
Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios
Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas
Como que cega ao meu encontro....
Amiga, última doçura
A tranquilidade suavizou minha pele
E os meus cabelos. Só meu ventre
Te espera, cheio de raízes e de sombras.
Vem, amiga
Minha nudez é absoluta
Meus olhos são espelhos para o teu desejo
E meu peito é tábua de suplícios
Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes
E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim
Como no mar, vem nadar em mim como no mar
Vem te afogar em mim, amiga minha
Em mim como no mar..

Vinicius de Morais

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Outra Canoa

"Agora, ela sabia: um livro é uma canoa. Esse era o barco que lhe faltava em Antigamente. Tivesse livros e ela faria a travessia para o outro lado do mundo, para o outro lado de si mesma" 


Mia Couto. "O outro pé da sereia"

Mestre Valdemar Farias dos Santos - 15min. (Finalizado)

O Jangadeiro Amoroso

O Jangadeiro amoroso
Vai nas ondas a cantar
E a jangada aventuroso
Vai levando sobre o mar

Enquanto as ondas prateadas
Vão cantando o seu poema
E nas brisas perfumadas
Ouve-se a voz de Iracema

Nas campinas de esmeraldas
Tão verde da cor do mar
Do sol ao brilho que escalda

Vai-se um povo a trabalhar

Valentim Magalhães - Gazeta de Noticias

sábado, 11 de dezembro de 2010

Como você

Selvagem como você
Selvagem, como você
Selvagem como, você!
Selvagem!

A grande chuva

Grande chuva
Lagrimas
Seio do céu
Alimenta a terra
Grande chuva
Relâmpago
Lanterna do céu
Pra clarear grande terrra!

Sim!
Estou nua
A chuva escoa
Sim!
Estou, sua
O barulho ecoa
Sim!
Estou....

Flores em concha

Luz do mar
escondida do alto
conchas em flores
desabrocham no peito
emoção infinita

Um homem coleciona
flores em concha
Perolas rolam do peito
aos olhos
sinalizam o outono do inverno

Uma mulher vestida de plancton
chora estrelas
tecidas na sombra da primavera

Eterno mar
Mergulho da gota
encandescente
no verão circular
oceano.

Espelho

Sagrado Mar
Santificado
Divino amoroso em extensão
Venera um marinheiro ausente
Repleto de ar
Presenteia, seduz
Espelho lunar
Estrelas no mar

Tua bondade inspirada
cheira terra
Suspira o ramo verde
Raiz permanente
Algas verdes iluminadas, cintilantes
Percorrem o horizonte

A ultima folha cai
Na noturna viagem
que fulgura a essência
da solidão desfrutar