quarta-feira, 21 de novembro de 2007

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Ando nas ruas do centro
Estou lembrando tempos
Enquanto lhe vejo caminhar

Aguando a calçada
Um barbeia um velho
Deita a noite e diz poesia (serenata)

Vinho enquanto ouve choro costurar
Passei em casa, seu Zé não estava
Memórias Senhor Brás Cubas Postumavam
Enquanto vi passar Helena pra casa de chá

Devagar, bonde na praça
Ainda borda delicadeza
Torna a gente
Banca de flores
Libertando sorrisos no ar


Carta (ano de 1890)
Vanessa Da Mata

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Passagem

Na virada da maré
Na mudança dos ventos
As lembranças dormem

O sabor do mar e dos ventos
Alimentam

Tempo de espera
Lua cheia
Pensamentos vagos

Na mudez dos sentimentos
Dorme luz
Acorda vida

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Da Minha Aldeia

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe
de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos
nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.


Alberto Caeiro

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Remar


Tão sua
Na correnteza das palavras
Remando na memória
Andar de silêncio
Tão sua
Na travessia do tempo...
Na fartura do cerco
A festa na volta

terça-feira, 11 de setembro de 2007

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Longe de tudo, perto do mar

Das maravilhas do mar fez-se esplendor de uma noite

Deixa-me encantar
Com tudo teu e revelar
O que vai acontecer
Nesta noite de esplendor
O mar subiu na linha do horizonte
Desaguando como fonte
Ao vento a ilusão teceu
O mar
Por onde andei mareou
Rolou na dança das ondas
No verso do cantador

Dança quem tá na roda
Roda de brincar
Prosa na boca do vento
E vem marear

Eis o cortejo irreal
Com as maravilhas do mar
Fazendo o meu carnaval
É a brisa a brincar
A luz raiou pra clarear a poesia
Num sentimento que desperta na folia
Amor amor
Amor sorria ô ô ô
Um novo dia despertou

E lá vou eu
Pela imensidão do mar
Essa onda que borda a avenida de espuma
Me arrasta a sambar

David Corrêa e Jorge Macedo

Para mim

Para ti

Uma passagem por Paraty....
Alguém já me dizia que alí tudo é de paz. E a inspiração é natural, basta andar pelas ruas e conhecer sua gente. Ouvir sua música......

Esse poema ouvi no ultimo disco de Maria Bethania "Mar de Sophia", uma lindeza que não consigo parar de ouvir...doses homeopáticas pela manhã....pra aguentar essa vida na floresta de prédios....

Em Hydra, evocando Fernando Pessoa

“O teu destino deveria ter
Passado neste porto
Onde tudo se torna
Impessoal e livre
Onde tudo é divino como
Convém ao real”

Sophia de Mello Brandão

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

O mar de amar




Final lilás
Encantada
Sorrindo

Não sei se me darás um filho
Não sei
Mas o amarei
Hoje
Agora
Com a alma aberta
Iluminada
Pelo cais

terça-feira, 14 de agosto de 2007

O Último Pôr-do-sol

A onda ainda quebra na praia,
espumas se misturam com o vento.
No dia em ocê foi embora,
eu fiquei sentindo saudades do que não foi
lembrando até do que não vivi pensando nós dois

Eu lembro a concha em seu ouvido,
trazendo o barulho do mar na areia.
No dia em ocê foi embora,
eu fiquei sozinho olhando o sol morrer
por entre as ruínas de Santa Cruz lembrando nós dois

Os edifícios abandonados,
as estradas sem ninguém,
óleo queimado, as vigas na areia,
a lua nascendo por entre os fios do teus cabelos,
por entre os dedos da minha mão passaram certezas e dúvidas

Pois no dia em que ocê foi embora,
eu fiquei sozinho no mundo, sem ter ninguém,
o ultimo homem no dia em que o sol morreu

Lenine