domingo, 4 de maio de 2008

O ultimo sol

Lembro-me bem
O dia do ultimo sol
A sonhar tudo o que o amor pode realizar
Um sonho acordado
E vivo
Gozei séculos de afagos
Em teus olhos
E finalmente me cobri de flores
Girando no teu céu
Em canto e dança
Sensual
Grande prazer dos sentidos
Ritmo vibrando no mais fundo de mim mesma

Oh! Maravilhoso isolamento
De silêncios profundos
Calma e larga ausência
Banhando-me na água do verdadeiro juramento

Ah! Como é doce naufragar-me nesse mar!

sexta-feira, 2 de maio de 2008

MESTRES



Fonte: http://www.viniciusdemoraes.com.br/

Contemplações do poeta ao cair da noite

Ainda há pouco, a reler a página admirável de frei Luís de Sousa, cujo título, possivelmente dado pelos antologistas Álvaro Lins e Aurélio Buarque de Holanda, é (se em vez de poeta ler-se arcebispo) o mesmo desta crônica, tive a alegria de verificar quão parecidas eram as minhas noites de solidão em Montevidéu, com as de frei Bertolameu dos Mártires, mais de três séculos antes. Como o santo arcebispo, também eu passava o dia todo dando expediente, quiçá de menos hierarquia, pois enquanto ele devia andar às voltas com despachos celestiais, tinha eu a meu cargo despachos marítimos e terrestres, além da firmação de passaportes e faturas e da contagem diária dos emolumentos consulares.
E como fazia ele, com relação às coisas divinas, eu, ao fechar-se a noite sobre o cerro que provocou no descobridor a exclamação nominativa da cidade, depois de um curto trajeto de automóvel até o bairro de Pocitos, onde tenho meu apartamento num sétimo andar "pagava-me o peso do dia, e do trabalho com um passatempo malconhecido no mundo, e ao menos buscado de poucos (e ainda mal, que se muitos o buscaram fora melhor ao mundo)". Entregava-me a uma profunda contemplação da bem-amada ausente. Esta era a maneira de vencer a distância irremediável que se estendia diante dos meus olhos voltados para o norte e que às vezes buscavam, na linha descendente de Alfa e Beta de Centauro, o ponto exato onde ela, de sua janela sobre o parque, devia também pensar em mim.
E não se maravilhe ninguém de que eu, tal o arcebispo, passasse com tanta facilidade dos negócios à contemplação. Não tinha, é claro, "dês da primeira idade feito hábito neste santo exercício". Mas o que me faltava em penitências, sobrava-me em ternura e querer-bem. E se nele "este antigo costume lhe trazia a viola do espírito tão temperada sempre, que em qualquer conjunção que largava o negócio, logo a achava prestes para sem detença entoar as músicas da Celestial Jerusalém, e ficar absorto nos prazeres do divino ócio", eu por mim tinha sempre bem afinado o meu violão Del Vecchio, e me comprazia em machucar-me as saudades com os doridos acordes de tantas canções feitas para a bem-amada. E assim não me era por nada difícil passar de faturas a doçuras, e desligar-me da rotina do trabalho para a comunhão com a amiga distante, num lento evolar-se do meu ser empós sua adorável imagem, que às vezes parecia corporificar-se na lua que estava no céu. E não era incomum ficarmos, eu e a lua de Montevidéu, em doce conúbio, ela dilatando os espaços com os raios de seu amor, eu esvaindo-me de amor em seu luar. Pois era aquele o luar do meu bem no seu pungente exílio, a segredar-me que, mesmo ausente, ali estava para iluminar as minhas horas; e eu tivesse paciência e a esperasse dentro e fora de mim, que ela se vestira toda de luz para o nosso futuro encontro; e não me desesperasse, pois estava próximo o dia em que nunca mais nos haveríamos de separar.
De outros turnos - como no caso de frei Bertolameu, que dessem-lhe azo os negócios, "subia sobre tarde a um eirado que mandou fazer em uma casa das mais altas do Paço; e como o passarinho, que depois de andar todo o dia ocupado na fábrica de seu ninho, quando vai caindo o Sol, e as sombras crescendo, estende as asas pelo ar, dando umas voltas alegres, e desenfadadas, que parece não bole pena, ou posto sobre um raminho canta descansadamente", - também eu deixava-me estar no terraço de meu apartamento, um dos mais altos de Pocitos: e feito ele que, à imagem da avezinha, "depois de alargar os olhos pelas serras e outeiros, que do alto se descobriam, estendia os de sua alma às maiores alturas do Céu, voava com a consideração por aquelas eternas moradas, desabafava, e em voz baixa entoava de quando em quando alegres Hinos" - eu por minha vez, ante a idéia de compartilhar com a bem-amada a visão dos amplos espaços crepusculares do estuário do rio da Prata, e de rodeá-la, com meus braços dentro das iluminações do poente oriental, punha-me, tal um menino que, ai de mim, já não sou mais, a tamborilar com os dedos e a cantar com ela alegres sambas do meu Rio, que não é da Prata nem do Ouro, mas que é cidade de muito instante, e em hoje mora, em casa única, o meu antes triste e multifário coração.





Para viver um grande amor (crônicas e poemas)
Vinicius de Morais

Sexta-feira com paixão

Minha tensão dinâmica
Me dá teu equilibrio
Um caminho de paz
Meu tesão permanente
Me dá teu fogo
Te dou a fogueira

Encantado...
Meu tigre alado
Me agarro em teus ramos
E vôo em tua selva

Devagar me vitaliza
Feito sol e vento
Brisa do mar
Sândalo divino
Sinto tua quentura
Fera minha
Me sacia ...

-LXVII-

La gran lluvia del sur cae sobre Isla Negra
como una sola gota transparente y pesada,
el mar abre sus hojas frías y la recibe,
la tierra aprende el humedo destino de una copa.

Alma mía, dame en tus besos el agua
salobre de estos meses, la miel del territorio,
la fragancia mojada por mil labios del cielo,
la paciencia sagrada del mar en el invierno.

Algo nos llama, todas las puertas se abren solas,
relata el agua un largo rumor a las ventanas,
crece el cielo hacia abajo tocando las raíces,

y así teje y desteje su red celeste al día
con tiempo, sal, susurros, crecimientos, caminos,
una mujer, un hombre, y el invierno en la tierra

Cien sonetos de amor
Pablo Neruda


Foto: Nahuel

Vida

Não compreendo
Lagrimas deslizam
Pela felicidade
De meu rosto
Ao sentir teu coração
Amanhecendo junto ao meu

Não entendo
O que dizem
Mas cada gota
Renasce em mim
A vida

Dentro da enternidade
Sem mistério
Reconheço-te
Meu porto
Meu ninho
Assim devagarzinho
Vai surgindo
A beleza
Desta manhã

Tua Onda

Fluxo e refluxo
Retorno marulhado
Encontro de duas ondas
Vai
Vem
Se encontram
Se unem
Se fundem
Na gandaia
Beira de praia

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Soneto de Amor - XLVI

Das estrelas que admirei,
molhadas
por rios e rocios diferentes,
eu não escolhi senão
a que eu amava
e desde então durmo
com a noite.

Da onda, uma onda e outra
onda,
verde mar, verde frio, ramo
verde,
eu não escolhi senão
uma só onda:
a onda indivisível
de teu corpo.

Todas as gotas, todas as
raízes,
todos os fios da luz vieram,
vieram-me ver tarde ou cedo.

Eu quis para mim tua cabeleira.
E de todos os dons de minha
pátria
só escolhi teu coração
selvagem.

Pablo Neruda

terça-feira, 15 de abril de 2008

Bendita tu Luz

Bendito el lugar y el motivo de estar ahí
Bendita la coincidencia
Bendito el reloj que nos puso puntual ahí
Bendita sea tu presencia
Bendito Dios por encontrarnos en el camino
Y de quitarme esta soledad de mi destino

Bendita la luz
Bendita la luz de tu mirada
Bendita la luz
Bendita la luz de tu mirada desde el alma

Benditos ojos que me esquivaban
simulaban desdén que me ignoraban
Y de repente sostienes la mirada(tarantintiriran)

Bendito Dios por encontranos en el camino
Y de quitarme esta soledad de mi destino

Bendita la luz
Bendita la luz de tu mirada
Bendita la luz
Bendita la luz de tu mirada

Gloria divina de esta suerte, del buen tino
Y de encontrarte justo ahi en medio del camino
Gloria al cielo de encontarte ahora, llevarte mi soledad
y coincidir en mi destino, en el mismo destino

Bendita la luz
Bendita la luz de tu mirada
Bendita la luz
Bendita la luz de tu mirada

Bendita mirada oh oh
Bendita mirada desde el alma
Tu mirada oh oh
Bendita bendita bendita mirada
Bendita tu alma y bendita tu luz
Tu mirada oh oh
Te digo es tan bendita tu luz, amor, amor
Tu mirada oh oh

Bendito el reloj y bendito el lugar
Benditos tus besos cerquita del mar
Tu mirada oh oh
Amor, amor, qué bendita tu mirada
Tu mirada amor

Maná
Composição: Fher Olvera

domingo, 13 de abril de 2008

A canoa fantástica

Pelas sombras temerosas
Onde vai esta canoa?
Vai tripulada ou perdida?
Vai ao certo ou vai à toa?

Semelha um tronco gigante
De palmeira, que s'escoa...
No dorso da correnteza,
Como bóia esta canoa!...

Mas não branqueja-lhe a vela!
N'água o remo não ressoa!
Serão fantasmas que descem
Na solitária canoa?

Que vulto é este sombrio
Gelado, imóvel, na proa?
Dir-se-ia o gênio das sombras
Do inferno sobre a canoa!...

Foi visão? Pobre criança!
À luz, que dos astros coa,
É teu, Maria, o cadáver,
Que desce nesta canoa?

Caída, pálida, branca!...
Não há quem dela se doa?!...
Vão-lhe os cabelos a rastos
Pela esteira da canoa!...

E as flores róseas dos golfos,
— Pobres flores da lagoa,
Enrolam-se em seus cabelos
E vão seguindo a canoa!...

Castro Alves

Caçada



Noite madrugada
Fina empolgada
Tudo procurava
Porém, grande gato
Tu me encontrara
Nas horas perdidas
Minha alma se abriu
Exalou inocência
Como açucena
Tirada pra dançar
Dança secreta do olhar
Imergi
Mar do eterno agora
Sorrisos
Silêncio

Caçador noturno
Predador carnivoro
Devorou meu cheiro
Saciou meu desejo
Rasgou o coração
Nossas peles alvas
Se uniram rubras
Teu gosto de terra
Invadiu meus sentidos
Ofegante
Perdi a visão...


Amanheço
terra
Respiro
desejo
Sem rumo
Sinto tua mão
- Vem, vamos sair! Ver o sol!

segunda-feira, 17 de março de 2008

Quase Nada!



De você sei quase nada
Pra onde vai
Ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
Do meu caminho
Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo pra toda fome que há no mundo

Noite alta que revela,
Um passeio pela pele
Dia claro
Madrugada
De nós dois não sei mais nada

Se tudo passa como se explica?
O amor que fica nessa parada
Amor que chega sem dar aviso
Não é preciso saber mais nada

De você sei quase nada
Quase nada

Zeca Baleiro

terça-feira, 11 de março de 2008

Será?

O que gostaria, não consigo realizar
Fico pensando
Sei lá em quê
Mas quando vejo as horas
Percebo
O tempo passa
A vida vai
Algo fica
As vezes acha que esqueceu
Finge
E engana a si mesmo
Fica pensando em nada
Esquecendo de tudo
E vê que sente
Sente falta
Até o vento faz lembrar
Suspirar
Será?
Não consigo realizar
O que gostaria
Fico pensando
Sei lá em quê
Mas quando vejo as horas
Percebo
O tempo passa
A vida vai
Algo fica
Acha que esqueceu
Finge
E engana a si mesmo
Fica pensando em nada
Esquecendo de tudo
E sente
Sente falta
Até o vento faz lembrar
Suspirar
Algo na vida pra nunca mais esquecer...

terça-feira, 4 de março de 2008

PALAVRAS AO MAR



Mar, belo mar selvagem
Das nossas praias solitárias! Tigre
A que as brisas da terra o sono embalam,
A que o vento do largo eriça o pêlo!
Junto da espuma com que as praias bordas,
Pelo marulho acalentada, à sombra
Das palmeiras que arfando se debruçam
Na beirada das ondas - a minha alma
Abriu-se para a vida como se abre
A flor da murta para o sol do estio.
Quando eu nasci, raiava
O claro mês das garças forasteiras:
Abril, sorrindo em flor pelos outeiros,
Nadando em luz na oscilação das ondas,
Desenrolava a primavera de ouro;
E as leves garças, como olhas soltas
Num leve sopro de aura dispersadas,
Vinham do azul do céu turbilhonando
Pousar o vôo à tona das espumas...
É o tempo em que adormeces
Ao sol que abrasa: a cólera espumante,
Que estoura e brame sacudindo os ares,
Não os sacode mais, nem brame e estoura;
Apenas se ouve, tímido e plangente,
O teu murmúrio; e pelo alvor das praias,
Langue, numa carícia de amoroso,
As largas ondas marulhando estendes...
Ah! vem daí por certo
A voz que escuto em mim, trêmula e triste,
Este marulho que me canta na alma,
E que a alma jorra desmaiado em versos;
De ti, de tu unicamente, aquela
Canção de amor sentida e murmurante
Que eu vim cantando, sem saber se a ouvia,
Pela manhã de sol dos meus vinte anos.
Ó velho condenado
Ao cárcere das rochas que te cingem!
Em vão levantas para o céu distante
Os borrifos das ondas desgrenhadas.
Debalde! O céu, cheio de sol se é dia,
Palpitante de estrelas quando é noite,
Paira, longínquo e indiferente, acima
Da tua solidão, dos teus clamores...
Condenado e insubmisso
Como tu mesmo, eu sou como tu mesmo
Uma alma sobre a qual o céu resplende
- Longínquo céu - de um esplendor distante.
Debalde, o mar que em ondas te arrepelas,
Meu tumultuoso coração revolto
Levanta para o céu como borrifos,
Toda a poeira de ouro dos meus sonhos.
Sei que a ventura existe,
Sonho-a; sonhando a vejo, luminosa.
Como dentro da noite amortalhado
Vês longe o claro bando das estrelas;
Em vão tento alcançá-la, e as curtas asas
Da alma entreabrindo, subo por instantes...
O mar! A minha vida é como as praias,
E o sonho morre como as ondas voltam!
Mar, belo mar selvagem
Das nossas praias solitárias! Tigre
A que as brisas da terra o sono embalam,
A que o vento do largo eriça o pêlo!
Ouço-te às vezes revoltado e brusco,
Escondido, fantástico, atirando
Pela sombra das noites sem estrelas
A blasfêmia colérica das ondas...
Também eu ergo às vezes
Imprecações, clamores e blasfêmias
Contra essa mão desconhecida e vaga
Que traçou meu destino... Crime absurdo
O crime de nascer! Foi o meu crime.
E eu expio-o vivendo, devorado
Por esta angústia do meu sonho inútil.
Maldita a vida que promete e falta,
Que mostra o céu prendendo-nos à terra,
E, dando as asas, não permite o vôo!
Ah! cavassem-te embora
O túmulo em que vives - entre as mesmas
Rochas nuas que os flancos te espedaçam,
Entre as nuas areias que te cingem...
Mas fosses morto, morto para o sonho,
Morto para o desejo de ar e espaço,
E não pairasse, como um bem ausente,
Todo o infinito em cima de teu túmulo!
Fosse tu como um lago,
Como um lago perdido entre as montanhas:
Por só paisagem - áridas escarpas,
Uma nesga de céu como horizonte...
E nada mais! Nem visses nem sentisses
Aberto sobre ti de lado a lado
Todo o universo deslumbrante - perto
Do teu desejo e além do teu alcance!
Nem visses nem sentisses
A tua solidão, sentindo e vendo
A larga terra engalanada em pompas
Que te provocam para repelir-te;
Nem buscando a ventura que arfa em roda,
A onda elevasses para a ver tombando,
- Beijo que se desfaz sem ter vivido,
Triste flor que já brota desfolhada...
Mar, belo mar selvagem!
O olhar que te olha só te vê rolando
A esmeralda das ondas, debruada
Da leve fímbria de irisada espuma...
Eu adivinho mais: eu sinto... ou sonho
Um coração chagado de desejos
Latejando, batendo, restrugindo
Pelos fundos abismos do teu peito.
Ah, se o olhar descobrisse
Quanto esse lençol de águas e de espumas
Cobre, oculta, amortalha!... A alma dos homens
Apiedada entendera os teus rugidos,
Os teus gritos de cólera insubmissa,
Os bramidos de angústia e de revolta
De tanto brilho condenado à sombra,
De tanta vida condenada à morte!
Ninguém entenda, embora,
Esse vago clamor, marulho ou versos,
Que sai da tua solidão nas praias,
Que sai da minha solidão na vida...
Que importa? Vibre no ar, acode os ecos
E embale-nos a nós que o murmuramos...
Versos, marulho! Amargos confidentes
Do mesmo sonho que sonhamos ambos!

(Vicente de Carvalho)

segunda-feira, 3 de março de 2008

Uma manhã ...

Um olhar carrega consigo magia
Leva ao desconhecido

Cabeceira da cama é a felicidade
O lençol é névoa matutina
Cobre os corpos
Com a paz serena de uma manhã

Não Posso Evitar de me Apaixonar




Sábios dizem que só os tolos se aventuram;
Mas eu não consigo evitar de me apaixonar por você;
Devo eu ficar!? Seria isso um pecado!?;
Se eu não consigo evitar de me apaixonar por você;

Assim como um rio vai certamente para o mar;
Assim isso também é certo (segue);
Algumas coisas são para acontecer;

Pegue minha mão;
Pegue minha vida inteira também;
Por eu não evitar de me apaixonar por você...

Bob Dylan

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Canção Para Um Grande Amor

Mas agora vai
Deixa o vento te seduzir
Deixa o novo sonho te invadir
E não volte nunca mais aqui pra me esperar
Agora vai, lança teu destino em outro mar
Não recues nunca pra ancorar
Nunca pra duvidar

Deixa o sol queimar a tua pele
Deixa o céu forrar a tua cama
Deixa amanhecer tua chama, teus desejos

Mas agora vai
Porque há vida em outra dimensão
Porque há paz no outro coração
Porque com a gente não?
Porque com a gente não?

Agora vai buscar os novos horizontes
Pousar no colo de outros ombros
Saciar a sede do teu corpo louco

É, deixa o sol queimar a tua pele
Deixa o céu forrar a tua cama
Deixa amanhecer tua chama, teus desejos
Deixa o sol queimar a tua pele
Deixa o céu forrar a tua cama
Deixa amanhecer tua chama, teus desejos

Vai pra sempre, vai
Ser feliz é uma estrada sem fim
Tens a força que eu nunca atingi
Tens a dor, mas ainda sei que tens a mim

Deixa o sol queimar a tua pele
Deixa o céu forrar a tua cama
Deixa amanhecer tua chama, teus desejos

Isabela Taviani